28/4/08
O veterinário e o jabuti

Era uma vez um jovem veterinário chamado Marcelo, que amava muito sua profissão. Junto a ele morava um Jabuti chamado Paulinho, com algumas dezenas de anos, um casco bem duro e alguns detalhezinhos… Certo dia, o Sr. Jabuti lhe disse: - Doutor, quero lhe falar, pode me escutar? - Claro amigo, vamos conversar - Respondeu o veterinário. - Sabe doutor, muito vi e ouvi aqui em sua clínica, coisas que nem você sabe e quero lhe contar. Lembra do Pitoco, aquele cachorrinho de rua que foi atropelado? Ele era cheio de pulgas, não tinha rabo e você o socorreu mais de uma vez. Era ele que comia a ração do gato siamês. Ele disse-me um dia que nunca teve tanto carinho, tanto amor e cuidados e que estava muito agradecido por tudo que você lhe fez. - Ah! O Pitoco, aquele cãozinho levado? Lembro sim, agora é da minha amiga Inês - Falou o doutor sorrindo. - E aquele São Bernardo, o Tatão? Aquele cachorro grandão que chegou aqui magro, abatido, mesmo tendo família estava todo debilitado. Tinha anemia profunda. Você foi buscar um outro cão e fez uma tal de transfusão. Não sei explicar isso não, mas ele ficou são. Como roncava o Tatão! Disse-me, meio encabulado, que você é muito bom, que agora ele seria feliz pois você ensinou seu dono como se deve cuidar de um cão. - É amigo, às vezes é preciso prestar atenção na alimentação - Falou o doutor com o ar preocupado. - E o gato Peteca, lembra? Veio aqui trazido pelas mãos da bondosa Dona Padreca que o achou na rua, todo machucado. Chutaram-no no rosto quebrando-lhe os dentes e ainda, jogaram água quente. Como sofria o coitado e você doutor, cuidou dele com a maior paciência. Ele me dizia, que nem ligava, nem doía e só contava vantagens das gatas que conhecia… Era um bichano meio invocado eu sei, mas eu via nos olhos dele o agradecimento, por tudo que você fazia. - Deste bichano lembro bem, que dureza era cuidar deste fanfarrão, pulava mesmo feito peteca, ninguém o segurava na mão. Ele ficou bom e agora tem um dono também. Mora lá no morro com o Pedrão. - E o papagaio Anastácio que chegou aqui com a asa quebrada… Currupaco!!! Currupaco!!! Como berrava o infeliz, cada nome que ele falava doutor! Não sei como você conseguiu, depois de tanto que ouviu. Cuidou dele, amansou-o e devolveu ao Sr. Jamil. Antes de ir embora, deu vários assobios e fez um som meio estranho, parece até que ele riu. Ele disse-me um dia: “Este doutor é o melhor, como ele é bom, p… que pariu!” - Papagaio danado, mexia com minha secretária, era muito safado! - Doutor, sei que você fica cansado com tantos chamados. São tantos animais que você cuida e nenhum é diferente: gato, papagaio, cavalo, periquito ou cachorro. Todos animais você trata com amor e atenção; Todos igualmente, parecem até que são gente. Ouvi dizer que você lembra um tal São Francisco que não conheço, mas deve ser outro alguém como você que gosta muito de bichos também. - É isso mesmo amigo, ele gostava muito dos bichos… é um Santo, o São Francisco de Assis. - Sabe doutor, eu sempre dei um jeitinho de ficar por perto, ao seu lado, escondido, vendo tudo calado. Serei seu eterno amigo jabuti. Jamais esquecerei que você me salvou do fogo. Foi quando perdi minhas duas perninhas e minha dona não mais me quis. Você de mim cuidou e até me adotou. Agora, chega de conversa, venha me pegar…. venhaaaaaaa… - e lá se foi o jabuti. - Hei Jabuti! Volte aqui!!! Que danado, como corre agora este safado! E como tantas outras vezes, sai o jabuti correndo e o doutor atrás, sorrindo feito criança a brincar. Sabem porque o jabuti Paulinho pode correr? Doutor Marcelo, este doutor sabido e com muitos fãs, colou em seu casco, imaginem só, duas rodinhas de carrinho rolimã. E foram amigos para sempre.
criado por scatucha
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