29/6/08
Meu Eu Errante

Em um lugar distante
Reportei meu eu errante
Caminhei pela relva molhada
Perambulei por tênue estrada
Com o vento na face soprando
Vendo árvores dançando
Ouvi o cochicho dos bichos
Canções das águas dos rios
Não estava só, sabia
Acompanhavam-me, sentia
Seres diferentes… imortais
Anjos de luz… elementais
Senti então que devia parar
Numa clareira repousar
O sol se escondeu no horizonte
Sobre meu corpo e minha fronte
Caia o manto negro das noites frias
Bordado com brancas pedrarias
A Lua, que ironia… me sorria
E, rompendo o silêncio que fazia
Me vi gritando aos sete ventos
O que se passa , não entendo
A imagem dele me persegue
Feito sombra, incessante febre
E foi num ato de pura magia
Que estupefata, eu ouvia
Das cigarras com fortes cantos
Dos grilos junto aos pirilampos
A mais linda e clara sinfonia
Quiçá, arrisco, assim se traduzia:
Gri… Gri… Gri… Gritas, dizes a que vens?
Si… Si… Si… Se bem sabes o que tens
Gri… Gri… Gri… Gritas hoje, por amar
Si… Si… Si… Se não lembras, vais recordar
Gri… Gri… Gri… Gritando aqui pedistes
Si… Si… Si… Seu algoz amor encontrar
Imploro agora, natureza amiga
Ordene que o vento a ele diga
Que há muitas vidas o espero
Que ele é tudo o que mais quero
Não é mais mister esperar
Estou pronta… pronta para amar.
criado por scatucha
22:58 — Arquivado em: 

